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10:15 - 8/2/2010  



Violência: População de Rondônia pede socorro

A violência em Rondônia atingiu níveis assustadores, principalmente em Porto Velho, onde se vive a euforia do crescimento acentuado, devido à construção das hidrelétricas do rio Madeira. As autoridades dizem que têm tudo sob controle, mas população está sentindo na pele o que é viver na segunda capital mais violenta do país, considerando o índice populacional. Recentemente foram feitos investimentos na área de segurança, com a aquisição de veículos para as polícias, mas isso não foi suficiente para frear a criminalidade. A comunidade clama por providências, mas muitas vezes a voz quem vem das ruas não é ouvida pelos dirigentes. Enquanto isso prossegue os registros de assassinatos e assaltos, tendo como vítimas principalmente as pessoas de menor poder aquisitivo, que não têm dinheiro para contratar segurança privada. O poder público, como sempre, deixa de cumprir sua função de atender prioritariamente os que mais precisam no caso a maioria absoluta da população.

O quadro em Rondônia se agrava devido à extensa área de fronteira com a Bolívia. É bom lembrar que o índice de violência aumentou com a construção das hidrelétricas, mas já era alto antes mesmo de se falar em executar alguma obra no rio Madeira. Há tempos vem se verificando a necessidade de maior investimento na área de segurança. A situação, portanto, não chegou de repente ao ponto em que se encontra agora. Uma outra questão também deve ser considerada: há tempos se sabia que as usinas seriam construídas, por isso o Estado deveria ter se preparado melhor para o súbito aumento da população. Os recursos de compensação devido ao impacto causado por uma obra de tal magnitude poderiam ter sido aplicados de forma mais estudada, colocando a população carente em primeiro lugar. Como isso não aconteceu, agora o jeito é correr atrás do prejuízo antes que Porto Velho seja considerada a capital mais violenta do Brasil. Rondônia não precisa deste título.

Particularmente, defendo não só investimentos na área de segurança, mas também qualificação profissional, para oferecer oportunidades a quem precisa. É claro que há pessoas que se voltam para o crime. Para estas, não adianta muito oferecer oportunidades. Mas há diversos casos de pessoas desfavorecidas pela sorte. A imprensa já noticiou ocorrências de gente que foi presa em Porto Velho por furtar comida. Nitidamente, trata-se de quem não teve uma chance, no momento em que precisava. O poder público precisa olhar para essas questões. Muitas vezes compensa mais investir no social do que construir prisões e contratar policiais. O lado social é importantíssimo. Tudo isso deve estar dentro um planejamento. É muito bom resolver rapidamente um problema, mas melhor ainda é se antecipar, tomando as providências antes que o mal aconteça. E há coisas fáceis de serem previstas, mas os investimentos devem acontecer no tempo certo, caso contrário os que mais precisam sempre sofrem as conseqüências.





Fonte: ACIR GURGACZ


Autor: Carlos Terceiro
Fonte: Acir Gurgacsz

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